SEALBRASILYAWANAWA/ACRE

Logo que desembarquei no aeroporto de Rio Branco, parti para Tarauacá que esta distante 6 horas da capital do Acre . A beira do Rio Gregório sentei em uma voadeira (barco de alumínio) e contemplei um cenário fascinante que se emoldurava diante dos meus sentidos. Aves, igarapés , borboletas, arvores imensas, água limpa, peixes,ribeirinhos e centenas de troncos espalhados pelo transcurso do rio. Mergulhava literalmente nas entranhas da floresta. Meu objetivo seria conhecer a Aldeia Nova Esperança, coração da tribo indígena Yawanawá. Navegamos 7 horas e ao final fomos recebidos por uma recepção de boas vindas. O local é alucinante. Um conto de fadas selvático. A beira de um imenso barranco um grupo de yanawanas, todos pintados e utilizando (shapanati) saias de palha nos recebeu com cantorias e danças. O ritmo , as vozes, a batida dos pés, a atmosfera me induziram a um estado alterado de encantamento. Sou recebido pelo Cacique Biraci líder espiritual da tribo. Um homem de muita fibra e determinação. Ele diz que os mariris que eles cantavam( cantoria na língua Mariri) são canções que os yawanawas agradecem aos espíritos da natureza e são uma tradição para receber os visitantes . Com este ritual nos espantamos os maus espíritos de quem vem de fora e iniciamos os trabalhos dos visitantes e curiosos de conhecer a cultura e espiritualidade dos Yawanawás.”

continua…

No dia seguinte fui pintado logo pela manha com o desenho da Jibóia . A pintura dos animais e elementos da floresta é uma tradição Yawanawa. Estava preparado para participar do ritual do Rumê (rapé) que consiste em uma cura indígena para a limpeza da mente e corpo. O mestre do rapé , Kapa Kuru colocou um aplicador em meu nariz e soprou um pó de casca da arvore em minhas narinas. Fiquei em sintonia e integrado com a natureza. Pegamos um barco e subimos até a aldeia sagrada. O local era onde os Yawanawas moravam e que hoje é o cemitério dos caciques. . Nesta travessia tinha como companhia do pajé Tata Yawa (faleceu no fim de 2016, aos 103 anos de idade) e a curandeira Putami, esposa do cacique Biraci. Em nossa jornada foi agraciado com a sabedoria de Yawa e os trabalhos de limpeza de Putami. O fascinante deste grupo indígena (Yawanawas) que se encontra no oeste do Acre, na região do alto Juruá é que eles resgataram o caminho e tradições de seus antepassados e mantém viva uma cultura milenar que ensina a todos nós como é possível viver em harmonia com a Natureza.

Arthur Veríssimo para Seal Brasil


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